Os tornados são fenómenos específicos associados a trovoadas, e sim, ocorrem também em Portugal à razão de pelo menos 1-2 por ano.

Há outros tipos de fenómenos de vento com igual aparência em remoinho, mas que não são tornados… por exemplo, em dias quentes de Verão, por vezes surgem remoinhos de poeira, Dust Devils, que são um fenómeno do tipo “tromba” e não surgem pelos mesmos mecanismos dinâmicos dos tornados verdadeiros, embora possam haver paralelismos.

Para ocorrerem tornados é preciso uma atmosfera muito instável, com formação de nuvens com extensão vertical de pelo menos alguns 8-10 quilómetros.
É preciso igualmente a presença de ventos fortes e com direções diferentes em altitude, estes ventos “cruzados” obrigam os sistemas nebulosos a adquirir rotação e a organizarem-se de modo a produzir tornados.

Em Portugal estes episódios estão geralmente associados à entrada de perturbações vindas de oeste ou sudoeste, que muitas vezes interagem com ar subtropical ou mesmo pequenas perturbações com origem nas áreas tropicais, e que chegam cheias de energia às nossas latitudes.
Acima, a imagem de uma das várias perturbações que entraram de sudoeste em Setembro de 2014.

Os tornados costumam ocorrer com maior frequência junto à costa ou em áreas de planície, e são menos frequentes em áreas montanhosas dado que a turbulência no fluxo sobre as montanhas dificulta a organização dos sistemas rotativos que lhes dão origem.

Estes fenómenos em Portugal são mais frequentes no Outono, inicio do Inverno e depois durante a Primavera.

É praticamente impossível prever a localização exata onde vão surgir, mas é possível definir áreas onde a probabilidade é maior ou menor, consoante as condições meteorológicas previstas.

http://www.uc.pt/fluc/nicif/riscos/Documentacao/Congressos/Apresentacoes_ICI_VENR/07-Paula_Leitao_Breve_descricao_tornados

Desde que o BestWeather surgiu, em Julho de 2015, já ocorreram vários tornados em Portugal continental… a maioria não gerou muitos danos.
Usualmente os tornados que observamos por cá são menos intensos do que os Americanos, dado que por lá as condições geográficas potenciam bastante a sua génese e intensidade.

Em ocasiões raras surgem sistemas de trovoadas extremamente intensos que se assemelham aquelas que ocorrem nos EUA, com tempo severo associado.
Este tipo de situações ocorre provavelmente um par de vezes por década, mas a sua frequência poderá aumentar com as alterações climáticas.

 

Abaixo temos o caso de 13/nov/2011 na região do litoral norte e centro, com ocorrência de trovoadas severas com relatos de queda de granizo até 3cm de diametro (Radar IPMA).

O caso do tornado forte de Silves (EF3 numa escala de 5)