Apenas uns dias após lançarmos a nossa previsão para a temporada de furacões, surge a tempestade subtropical Andrea.

Curiosamente este sistema surge precisamente numa área onde esperamos mais atividade do que o usual, tal como explicado no artigo anterior… na faixa subtropical do Atlântico Norte, em torno da latitude 30ºN, onde tanto as águas estão mais quentes que o usual, como também as condições de circulação atmosférica estão mais favoráveis que o normal para este tipo de eventos.

As tempestades subtropicais são sistemas híbridos, ou seja, alimentam-se da energia de trovoadas que se organizam em torno de um vórtice central, tal como os ciclones tropicais, mas ao mesmo tempo podem ter alguma “ajuda” de perturbações polares por exemplo, ou de restos de superfícies frontais.

Os ciclones tropicais e subtropicais podem transformar-se um no outro, dependendo das condições atmosféricas onde estão integrados, e por vezes até se podem transformar em ciclones não tropicais, caso se afastem muito dos trópicos e comecem a interagir com perturbações polares.

Voltando ao tópico da tempestade Andrea, esperamos que este sistema se mantenha com fraca intensidade e não deverá afetar com expressão nenhuma área terrestre (salvo alguns efeitos nas Bermudas, mas nada de preocupante)… estes sistemas têm energia suficiente para alterar  a circulação atmosférica em torno deles, e podem gerar alterações e maior volatilidade nos prognósticos a mais longo prazo para a Península Ibérica.