Imagens de um ciclone raro pela sua localização tão a sul num mês de Junho.

Este tipo de sistemas depressionários de evolução e intensidade muito vigorosos  geralmente ocorrem no Inverno, altura em que a dinâmica da atmosfera é mais favorável por haver um maior gradiente térmico entre as latitude altas e as regiões subtropicais.

As diferenças de temperatura em conjunto com a presença de fortes perturbações frias em altitude, também mais características do Inverno, é que geram este tipo de sistemas meteorológicos.

Apesar da aparência similar a um ciclone tropical, a tempestade MIGUEL, por se ter originado a partir de uma ondulação frontal, não pode ser considerada tropical.
No entanto, durante a fase madura do seu ciclo de vida, o ciclone apresentou algumas características subtropicais, ou seja, geram-se trovoadas em torno do seu centro, que o ajudaram a fortalecer-se, algo que é mais comum nos ciclones subtropicais e tropicais, e que também pode ocorrer em alguns casos nos ciclones não tropicais. ( Chama-se a isto um processo de seclusão quente ).

Os ciclones para serem puramente tropicais, devem apenas ser constituídos por grandes massas de trovoadas que giram em torno a um vórtice central, algo que não se observou no caso do MIGUEL.

Durante a sua passagem pelo noroeste da Península Ibérica, o Miguel trouxe rajadas de vento superiores a 100km/h, totais de precipitação muito elevados na Galiza e modestos no noroeste de Portugal Continental, agitação marítima temporariamente fortes e houve registos de alguma ocorrências relacionadas com as condições meteorológicas adversas.