A temperatura é um conceito interessante de estudar e que muita gente interpreta erradamente.

Há inúmeras questões e preconceitos em torno da temperatura que vamos tentar explicar neste artigo.

Primeiro, qual é a definição de temperatura? Bom, de forma simples, a temperatura é a quantidade de energia (cinética) que a matéria possui.
Quanto mais energia, maior a sua temperatura, mais os seus átomos estão “ativos”. A temperatura mínima que se pode atingir no universo é o zero absoluto, cerca de -273,15ºC, e a essa temperatura a matéria fica, basicamente, sem energia.

Perto do zero absoluto todos os processos físicos e químicos cessam, e mesmo o conceito de tempo deixa de fazer sentido dado que as coisas permanecem num estado permanentemente congeladas e imutáveis.

Pensa-se que é impossível atingir o zero absoluto, pelo que é apenas um conceito teórico, mas sabemos a partir de experiências realizadas que à medida que a temperatura se aproxima desse valor,de facto as reacções químicas e físicas começam a parar.

Quanto ao valor máximo possível no universo, não se sabe exactamente qual o valor, mas são possíveis valores absolutamente astronómicos em  contexto experimental, quando imensa energia é injectada em pequenas porções de material que depois aquece de forma absolutamente extrema e começa a comportar-se de forma “incomum”.. é algo que os físicos estudam bastante  por abrir portas a fenómenos sub-atómicos exóticos.

Voltando ao planeta Terra… a temperatura que observamos na terra é uma função entre a energia que o sol emite, a que é absorvida pelo Planeta e a energia que o mesmo emite para o espaço, ou seja, a temperatura observada depende da quantidade de energia que a Terra consegue reter.

Os elementos que influenciam mais a temperatura da Terra são a composição química da atmosfera, que permite reter mais ou menos calor, os ciclos orbitais, que modificam a quantidade e a distribuição da radiação solar sobre o planeta, e as dinâmicas do oceano, cuja água é o elemento que é indispensável nos processos de retenção e libertação de energia para a atmosfera e cujas correntes distribuem a energia capturada nas regiões tropicais para as outras áreas do globo.

As temperaturas na Terra são mais elevadas junto ao equador e mais baixas junto aos pólos, sendo que a média global ronda os 15ºC actualmente.

Ao longo dos últimos milhões de anos as temperaturas terrestres oscilaram bastante entre períodos frios e quentes.

A temperatura que sentimos é mesmo a temperatura real?

Esta é uma questão muito interessante.

A temperatura que sentimos depende da temperatura do fluido em que nos encontramos, seja ar ou água, mas também de uma série de outros factores.
Somos muitas vezes enganados pelos nossos sentidos… na verdade somos péssimos termómetros. 🙂

O organismo humano desenvolveu-se para sobreviver com uma temperatura interna em torno dos 36/37ºC, portanto, na verdade interessa mais ao nosso organismo saber quando está a aquecer muito acima ou a arrefecer muito abaixo desse valor, do que propriamente qual o valor exato da temperatura exterior ao corpo.

Somos portanto muito melhores a detectar variações de temperatura, do que o valor exato da temperatura em si, e tendemos a não gostar nada de variações bruscas porque a realidade essas variações têm impacto na forma como o corpo trabalha, e obrigam o corpo a gastar mais energia para manter a sua temperatura interna constante apesar do que se passa “lá fora”.

Calor a mais faz-nos sobreaquecer e é mau para uma série de processos corporais, enquanto que frio a mais também prejudica o corpo com a agravante de ser óptimo para a conservação de agentes patogénicos que geralmente se mantêm vivos mais tempo caso esteja frio (daí que no Inverno as pessoas fiquem mais vezes doentes do que no Verão, acrescentando que a falta de radiação solar no Inverno não mata os micróbios).

Temos também uma série de factores físicos que influenciam a nossa percepção da temperatura.

O nosso metabolismo não é sempre igual, por vezes o corpo queima mais energia, o que gera calor, enquanto que noutras vezes menos.
Pessoas com metabolismo mais rápido tendem a sentir mais calor mesmo com temperaturas mais baixas, e o inverso ocorre para pessoas com metabolismo mais lento.
A idade também joga com isto, dado que tendemos a ter um metabolismo mais lento à medida que envelhecemos.

O tamanho do nosso corpo também entra na equação, pessoas maiores tendem a reter o calor e não arrefecem tão rápido como as pessoas mais pequenas.

Só estes dois elementos geram logo uma situação curiosa… quando somos crianças temos um metabolismo mais rápido, mas um corpo pequeno, logo aquecemos mais rápido, mas também arrefecemos mais rápido.
Quando nos tornamos mais velhos, o nosso corpo é maior e retém mais calor, mas o metabolismo é lento pelo que também temos dificuldade em gerar calor, logo há aqui um desequilíbrio que influencia a forma como sentimos a temperatura à medida que a nossa vida se processa.

Ainda há outro factor, a massa gorda, pessoas com mais massa gorda tendem a reter melhor o calor porque a gordura age como isolante do corpo, e o inverso sucede para pessoas com menos massa gorda.

Por fim, há elementos que influenciam directamente a forma como sentimos a temperatura.

Se estivermos dentro de água, arrefecemos e aquecemos muito mais rapidamente, em função da temperatura da água que nos rodeia.
Isto acontece porque a água tem a capacidade de absorver e emitir muita energia, ou seja, se estivermos dentro de água fria, a água absorve muito rapidamente a energia do corpo, e arrefece o corpo, enquanto que se estivermos dentro de água quente a água aquece o corpo muito eficazmente porque emite energia para o nosso corpo.

O ar é muito menos eficiente a absorver e a transferir calor do que a água, portanto toleramos uma amplitude de temperatura muito maior em ambiente aéreo do que dentro de água.

Água a mais de 35ºC é suficiente para gerar grande desconforto por calor, enquanto que água a menos de 15 graus gera logo grande desconforto por frio…. em ar seco conseguimos resistir a valores um pouco mais amplos.

A humidade do ar é um elemento muito importante.
O nosso corpo arrefece por evaporação do suor e por condução ou transferência directa de calor para o ar.
Quando há muita humidade o suor não se evapora da pele, e isso dificulta o arrefecimento da pele, daí que em regiões quentes e húmidas haja uma sensação de calor abafado e insuportável do qual é impossível fugir.

Por outro lado o ar seco torna muito eficiente a transpiração, já que o suor evapora rapidamente e com isso se transfere o calor para o ar.
Isto torna os climas quentes e secos muito mais suportáveis.

Mas quando está frio os papeis invertem-se!

Quando está frio não transpiramos, e as trocas de calor entre o corpo e o ar dão-se por condução ou transferência directa.
O ar húmido possui mais água, e como referimos anteriormente, a água é muito boa a absorver e transferir calor, logo, o ar húmido absorve mais calor do nosso corpo do que o ar seco. Isto é especialmente verdade caso as nossas roupas absorvam mais humidade do ar e fiquem ligeiramente húmidas.

Por isso é que o frio húmido tende a ser mais desconfortável e o frio seco mais tolerável.

A nossa percepção de temperatura fica completamente “dispersa” com estas variáveis todas…

O vento, tem uma influência importante.

O vento quanto mais intenso mais facilita a evaporação do suor e, além disso, remove o ar quente que se forma em contacto com a nossa pele.
Devido a isto,o vento gera sensação de frio, e faz-nos crer que está mais frio do que está na realidade.

Por fim, a radiação solar… num dia de sol a radiação solar aquece o nosso corpo directamente, pelo que não é preciso estar uma temperatura muito alta para que se sinta calor.
Em sentido inverso, se não houver radiação solar para nos aquecer, sentimos frio mesmo com temperaturas que podem ser agradáveis na maioria dos dias soalheiros.

O mundo é muito complexo, e só este tema das temperaturas tem pano para mangas…

 

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