Imagem muito interessante no canal infravermelho, cortesia do IPMA.

Os satélites que medem a radiação infravermelha fazem uma distinção dos objetos pela sua temperatura, as nuvens mais altas e frias, e as massas de ar mais frias observam-se a tons brancos enquanto que as massas de ar mais quentes, as superfícies terrestres aquecidas pelo sol ou os oceanos mais tépidos aparecem a azul ou azul escuro.

No momento desta imagem apreciamos a abundância de massas de ar frio e de nebulosidade baixa associada a camadas de nevoeiros e nuvens baixas sobre grande parte do Interior da Península Ibérica, França e golfo da Biscaia.

Por outro lado, as águas mais quentes do Atlântico e Mediterrâneo aparecem a azul mais escuro.

No entanto observamos alguns “pedaços” de azul nas áreas montanhosas e em alguns locais da Península Ibérica.

Isto deve-se ao facto de, nestes dias anticiclónicos, o ar frio acumular-se mais junto às planícies e vales, sendo que em camadas mais elevadas da atmosfera o ar está relativamente quente.

Nestes dias, faz mais frio em vales e planícies do Alentejo à noite, do que nas serras mais altas!

O vento, que sopra sobre as montanhas, por vezes varre o ar frio ao descer as encostas, e gera áreas de aquecimento a juzante dos sistemas montanhosos, um fenómeno conhecido por aquecimento compressivo (do tipo Fohen ou vento catabático).
Este fenómeno gera transporte de ar mais quente para jusante das montanhas, e isso é visivel na imagem como areas mais azuis em torno e a leste/sudeste dos principais eixos montanhosos.