Com a ocorrência de episódios mais fora do comum a nível de temperatura e precipitação, toda a gente começa a falar das alterações do clima…

Não se deve nunca falar de mudanças do clima quando queremos retratar episódios extremos, ainda para mais nos climas das latitudes subtropicais, como o nosso, onde é normal a ocorrência de variações inter-anuais extremamente vincadas, com anos de seca seguidos de anos de chuvas, anos mais frios seguidos de anos mais quentes.

As mudanças climáticas são alterações a longo prazo nas tendências de ocorrência de determinados eventos meteorológicos, e devemos sempre ter cuidado ao  analisar essas tendências de modo a não enganar as pessoas com dados que podem não representar a realidade.

Estivemos a averiguar de forma breve as tendências mensais e as alterações na circulação atmosférica entre os anos 50-60-70-80 e os últimos 20 anos, de modo a oferecer aqui alguma luz no que toca ao tipo de mudanças climáticas que temos sofrido cá em Portugal.

As conclusões são diferentes para diferentes alturas do ano.

Durante o INVERNO existe uma tendência geral para que as áreas de alta pressão sejam mais influentes sobre a Europa, Península Ibérica e Mediterrâneo.
Ou seja, a longo prazo, se estas condições se mantiverem, poderemos esperar Invernos  cada vez mais secos e  com especial subida nas temperaturas máximas, com mais situações de fluxo de leste/sudeste, com aporte de ar seco.

Durante a Primavera as tendências são menos claras a nível da precipitação, mas as tendências de temperatura apontam para uma clara subida em especial no mês de Maio.

Por outro lado, entre o VERÃO e o OUTONO as tendências, apontam para mais influência de circulação de sudoeste.
Esperamos assim, que caso este padrão se mantenha, os Verões sejam mais quentes e abafados, com mais episódios de trovoadas.
Os Outonos serão bem mais quentes, mas também com maiores possibilidades de eventos extremos a nível de precipitação, tais como trovoadas severas ou ciclones com origem tropical ou subtropical.

Esta análise é um pouco superficial, visto que não temos assim tanto tempo para um estudo mais exaustivo, mas de forma geral é este tipo de evolução que podemos esperar no futuro, embora haja sempre possibilidade que estes regimes se alterem devido a outros fatores que não quantificámos.
De resto, estas conclusões vão de encontro com resultados de alguns papers/estudos que há por aí na literatura da especialidade.