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A maior parte do mundo apóia a globalização em teoria, mas muitos a questionam na prática

Em todo o mundo, o público tem opiniões mistas sobre comércio e investimentoPessoas em todo o mundo têm duas opiniões sobre a globalização: em princípio, a maioria acredita que é bom para seu país; na prática, muitos - especialmente aqueles em economias avançadas - não têm tanta certeza de que é bom para eles pessoalmente. Esse ceticismo, especialmente entre americanos, japoneses e alguns europeus, apresenta sérios desafios políticos domésticos para os acordos comerciais transatlânticos e transpacíficos agora em negociação, de acordo com uma nova pesquisa do Pew Research Center com públicos de 44 países conduzida nesta primavera.


A boa notícia para os defensores da globalização é que as pessoas em uma ampla gama de economias avançadas, emergentes e em desenvolvimento (uma mediana de 81%) dizem que o comércio internacional e os laços de negócios globais são bons para seus países. Em geral, as pessoas também expressam a opinião (mediana de 74%) de que é benéfico para a economia quando empresas estrangeiras constroem novas fábricas em seu país. A pesquisa incluiu 48.643 entrevistados de 17 de março a 5 de junho de 2014.

A má notícia para esses mesmos apóstolos da globalização é que uma parcela significativa das pessoas em muitas nações tem reservas sobre o impacto de uma integração econômica internacional mais profunda. Pouco mais da metade (54%) acredita que o comércio cria empregos. Apenas uma pluralidade (45%) considera que aumenta os salários. E apenas um quarto (26%) compartilha da opinião de que o comércio reduz os preços, ao contrário de um dos principais argumentos dos economistas para explicar por que as nações deveriam comercializar.

A terrível consequência política de tal sentimento é que o ceticismo em relação ao comércio e aos investimentos é particularmente forte na França, Itália, Japão e Estados Unidos. Cada uma dessas nações está envolvida na negociação de importantes acordos comerciais regionais: a Parceria Trans-Pacífico (TPP) no caso dos EUA e Japão e a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP) entre as nações da União Europeia e os EUA. Se aprovada, os governos envolvidos, incluindo o governo Obama e a maioria das comunidades empresariais na Europa, Japão, Estados Unidos e outros países participantes das negociações, dizem que os acordos estimularão o crescimento e o emprego, ao mesmo tempo que beneficiarão os consumidores.

Mas, quando perguntamos sobre implicações específicas relacionadas ao comércio internacional, o público americano é particularmente cético. Por exemplo, apenas 17% dos americanos acham que o comércio leva a salários mais altos, apenas 20% acreditam que ele cria novos empregos e apenas 28% dizem que as empresas estrangeiras que compram empresas americanas são boas para o país. Essa tendência de desconfiança pode complicar os esforços do governo para aprofundar e ampliar os mercados globais.