Lições do censo alemão


Quando os resultados do censo alemão de 2011 foram anunciados recentemente, eles incluíram um erro embaraçoso - pelo menos no mundo demográfico. Ele mostrou que a população alemã tinha 1,5 milhão de pessoas abaixo do que o governo esperava. A notícia foi um golpe para a reputação da Alemanha de manter registros eficientes e também é relevante para a forma como o próximo censo dos EUA será conduzido.


O censo alemão, que foi o primeiro desde a reunificação da Alemanha Oriental e Ocidental em 1990, contou 80,2 milhões de pessoas. A Alemanha Oriental havia feito um censo pela última vez em 1981, e a Alemanha Ocidental em 1987. Desde então, a Alemanha atualizou suas estimativas populacionais com dados de listas de residentes mantidas por cada localidade, que também contêm informações demográficas básicas. Esses 'registros populacionais' devem ser atualizados com nascimentos, casamentos, óbitos ou mudanças de endereço.

O principal motivo para o déficit na contagem da população da Alemanha foi que os registros locais não foram atualizados quando os residentes estrangeiros deixaram o país. O escritório de estatísticas alemão estimou que havia 7,3 milhões de residentes na Alemanha sem passaportes alemães, mas o censo contou apenas 6,2 milhões.

A maioria dos países da Europa Ocidental e nórdicos mantém esses registros, e a maioria também mantém um registro central com todas as informações de nível local. Alguns usaram esses dados no lugar de um censo de casa em casa.

Na Alemanha, a tentativa do governo da Alemanha Ocidental de vincular os registros do censo aos registros da população municipal levou a um processo judicial por questões de privacidade que forçou as autoridades a cancelar os planos para o censo de 1983. A história paira sobre o debate sobre privacidade na Alemanha, onde os dados do censo foram usados ​​para direcionar os judeus e outras minorias durante a era nazista.


A manutenção de registros populacionais na Alemanha e em outros países foi citada como um modelo parcial em potencial para os EUA, onde o Census Bureau considerou por décadas como os registros do governo (ou de fornecedores comerciais) podem ajudar o processo tradicional de tomada de censo. Esses registros podem incluir arquivos de agências federais, bem como dados estaduais, tribais ou locais.



O uso mais óbvio de registros administrativos seria contar o número crescente de residentes dos EUA que não devolvem seus formulários do censo, e esse tem sido o foco principal da pesquisa do Census Bureau sobre este tópico. Mas em seu relatório provisório de 2011, o Painel para Revisão do Censo de 2010 do Conselho Nacional de Pesquisa recomendou o uso de 'informações baseadas em registros para complementar e melhorar uma ampla variedade de operações censitárias', como a tarefa crucial de atualizar a lista de endereços que é o espinha dorsal de um censo bem-sucedido.


Como na Europa, o uso desses registros pode levantar preocupações nos EUA sobre privacidade pessoal. As informações coletadas pelo U.S. Census Bureau são protegidas por lei e nunca devem ser usadas para identificar respondentes individuais, mas alguns americanos se opõem a responder a perguntas por motivos de privacidade. Adicionar outros registros do governo à mistura poderia provocar mais objeções.

Outro obstáculo ao uso de registros administrativos é que eles podem estar incompletos ou incorretos. Um artigo de pesquisa do Census Bureau divulgado em março relatou um experimento no qual uma amostra de registros do governo federal (incluindo um arquivo postal de mudança de endereço) foi empregada para identificar pessoas que foram contadas mais de uma vez no Censo de 2010 ou contadas no lugar errado. Os resultados foram 'não muito promissores', em parte porque os registros federais não eram atuais ou completos. Os resultados do censo alemão lembram que este é um problema também para outros países.