Os Furacões afinal são o quê? Vamos aqui dar um olhar mais detalhado a estes fenómenos.

Os Furacões ou Tufões ( designação dada na Ásia ) são ciclones tropicais na sua forma mais severa, sendo classificados de categoria 1 a 5 consoante a sua intensidade.

Estes sistemas nada têm a ver com tornados, como adiantámos já neste artigo: https://bestweather.pt/tornados-em-portugal/

O facto de serem ciclones tropicais implica diferença face aos ciclones não tropicais ou extratropicais, que afectam as latitudes médias e altas.

Os ciclones não tropicais são fenómenos com características diferentes, nomeadamente porque retiram a sua energia a partir do choque de massas de ar frio e quente, sendo sistemas mais extensos que se formam ao longo das correntes de jato polares, temos já um artigo que aborda esse tema: https://bestweather.pt/tempestades/

Os ciclones tropicais são diferentes porque se formam em áreas onde as massas de ar são relativamente idênticas, com muito calor e humidade disponível.

Outra diferença prende-se com o se tamanho, os ciclones tropicais são bem mais pequenos mas também mais intensos do que o ciclones não tropicais.

Estas massas de ar quente, alimentadas pelo vapor de água que provem dos oceanos tropicais, tornam-se instáveis e geram trovoadas.

As trovoadas quando em grande numero juntam-se em grupos e começam a gerar uma área de baixa pressão… como que sugam o ar em redor e obrigam o ar a subir, gerando uma perturbação depressionária.

Muitas vezes para se formarem esses aglomerados de trovoadas ” dá jeito ” a ajuda de um elemento atmosférico inicial que atue no sentido de promover o aumento da instabilidade atmosférica…algo que sirva de gatilho ou de “berço” a estes fenómenos.

Umas vezes estes elementos desencadeantes são restos de depressões vindas de latitudes mais altas, depressões não tropicais que se deslocam para as latitudes mais baixas e começam a interagir com as águas quentes e com as massas de ar ricas em calor e humidade.

Outras vezes estes sistemas surgem a partir daquilo que se chama de ondas de leste, que são pequenos remoinhos que se formam nos ventos alisios, associados aos anticiclones subtropicais, e que se originam quando o ar mais seco e estável do anticiclone fricciona contra o ar mais húmido e instável associado à zona de convergência intertropical.

Para se formar um ciclone tropical precisamos de condições não só de muita humidade como também de pouco vento nas camadas altas da troposfera.
Se houver muito vento em altitude as trovoadas são empurradas e não se conseguem agrupar e juntar.

Quando as condições são ideais, com águas quentes, geralmente acima dos 26ºC, presença de ar quente e húmido e pouco vento em altitude, as trovoadas organizam-se e juntam-se e vão formando um vórtice que vai crescendo e tornando mais intenso. É em torno desse vórtice central que as condições meteorológicas são mais gravosas. Caso haja algo que enfraqueça esse vórtice central, todo o sistema pode acabar por colapsar.

A estrutura normal de um furacão é composta por bandas espirais de trovoadas por onde o ar quente que vem de fora do ciclone é sugado e obrigado a subir.
O ar sobe até atingir altitudes por vezes superiores a 20km, e uma parte volta a descer pelo olho, aquecendo e secando ao descer. Este ar mais quente e seco é o motivo pelo qual o olho do furacão não possui nuvens.
O ar seco volta então a sugar humidade do mar e torna-se de novo instável, voltando a ascender ao colidir com as massas de ar que vêm de fora.

Em altitude, o resto do ar que não descer pelo olho, é evacuado de forma radial para longe do núcleo do furacão, formando uma corrente divergente em altitude.

Os furacões são mais comuns nas áreas mais quentes dos oceanos, formando-se nas áreas tropicais e movendo-se para as latitudes médias.
Ao avançar para as latitudes médias estes acabam por morrer ao encontrar aguas mais frias ou acabam por se transformar em ciclones não tropicais quando encontram massas de ar frias associadas ás perturbações não tropicais.

No futuro, com o aquecimento global, observamos uma tendência de maior intensidade dos ciclones tropicais e de maior dispersão para regiões mais longe dos trópicos.
Curiosamente não se observa uma tendência assim tão grande de aumento da sua frequência, sendo mais relevante o aumento médio da severidade individual deste sistemas.