Este ano estamos a bater um novo recorde de valor mínimo de cobertura de gelo no Ártico, com valores recorde para a o fim do Inverno e início da Primavera.

A diminuição da cobertura de gelo tem sido crónica, e em linha com as atuais tendências de aquecimento global, embora nos últimos anos tenhamos assistido ao colapso permanente de banquisas sazonais, com erosão das massas de água polares e substituição por massas de água vindas de sul, levando ao retrocesso da frente polar ( que é um elemento que também ocorre no oceano ).

Estes eventos parecem estar relacionados com a estabilização da temperatura média global em valores superiores a 1ºC acima dos valores pré-industrial… o aquecimento no ártico tem sido mais extremo em especial no Inverno devido ao aumento significativo de vapor de água na atmosfera polar.

As consequências para o comportamento da atmosfera e para o estado do tempo e PortugaL são complexas, e enquadram-se naquilo que se chama de “arctic amplification”.
Um dos efeito é o estabelecimento de mais padrões de bloqueio no Inverno, que podem levar a episódios persistentes e relativamente imprevisíveis quer de secas quer de tempestades durante o Outono-Inverno-Primavera.
No Verão os efeitos são menos claros.

Estima-se que o limiar de segurança a nível de aquecimento ronde os +2ºC a nível global, acima dos quais estas alterações já visíveis se poderão tornar ainda mais complexas e gravosas.

O planeta tem cerca de 20 anos para reduzir de forma muito substancial as emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera, com a solução a passar pela energia nuclear e pela adoção de um modelo energético e económico completamente novo.

Visto pelo lado positivo, 20 anos ao passo da atual evolução tecnológica parece tempo suficiente, mas as medidas precisam de ser tomadas hoje.
Mesmo após o cessar da emissão de CO2, os ciclos de feedback nomeadamente com o vapor de água e o albedo dos pólos vão manter as temperaturas a subir e acima dos valores médios do Holoceno durante pelo menos algumas centenas de anos ( sendo que quaisquer esforços de mitigação “forçada” são não apenas extremamente caros como eles próprios apresentam riscos significativos ).