– A corrente o Golfo –

A corrente do Golfo é uma corrente de águas quentes que faz parte de um circuito global de correntes oceânicas com importância muito significativa no desenrolar do clima da terra.

A corrente do Golfo origina-se nas Caraíbas, onde águas quentes tropicais são integradas no seu seio, e são transportadas para norte junto da costa Americana antes de virarem para o Atlântico central e Atlântico norte.

A dinâmica desta corrente depende do regime de ventos sobre o oceano e da circulação termo-halina.

A corrente segue de forma aproximada o regime de ventos que se estabelece entre o Anticiclone dos Açores e as baixas pressões no Mar das Caraíbas e no leste da América do norte.

Mas mais importante que estes ventos, é a questão da circulação termo-halina.
Esta circulação define-se pelas diferenças de salinidade e temperatura entre o Atlântico tropical e o Atlântico norte.

As aguas tropicais são mais quentes e mais salgadas por estarem sujeitas a maior evaporação e por terem uma maior capacidade de dissolver sais.
Estas, ao moverem-se para norte vão interagir com ar mais frio, neste processo as águas tropicais arrefecem, tornam-se mais densas e afundam até ao fundo do oceano.

Sem este processo em que as águas são “sugadas” para o fundo do oceano, a corrente do golfo nunca seria tão eficiente pois por muito que os ventos empurrassem a água para norte, esta não teria para onde ir e toda a circulação seria bem mais fraca.

A corrente é, portanto, muito sensível a alterações de temperatura e salinidade.

A corrente do golfo é, neste momento, a corrente oceânica mais intensa do globo.

A sua importância para os padrões de circulação atmosférica sobre o Atlântico é enorme.

Ao transportar aguas quentes junto da costa Americana, a corrente do Golfo potencia os sistemas ciclónicos que assolam aquela região do globo, tanto os provenientes dos trópicos como os ciclones que chegam do Canadá e se enchem de energia ao atingir a corrente do Golfo.

A corrente do golfo também transporta águas muito mais quentes que o normal para latitudes muito  altas, contribuindo para que o clima da Europa central e do norte seja bem mais quente e chuvoso do que devia ser para a latitude em que encontra.

Na Península Ibérica o efeito mais notório da Corrente do Golfo é amenizar os fluxos de ar frio de norte que nos chegam no Inverno, poupando-nos aos rigores do inverno que ocorrem noutras regiões à mesma latitude, como por exemplo o leste da China ou dos EUA.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

As mudanças climáticas ocorrem sempre que se alteram um ou vários dos 3 principais factores que regulam o clima terrestre.
– Ciclos orbitais.
– Correntes oceânicas.
– Química da Atmosfera.

Atualmente estamos num processo de alteração da composição química da atmosfera, nomeadamente com aumento das concentrações de C02, Metano e vapor de  Água, sendo que este processo foi iniciado pelas emissões humanas de CO2.

Esta alteração conduz a um aquecimento da atmosfera, que é maior e mais rápido nos pólos.

Este aquecimento faz com que ocorram alterações nos ventos,  temperaturas e salinidades oceânicas, sendo que ambos são enormemente importantes para a corrente do Golfo.

Será que a corrente do golfo vai parar? E principio não… na verdade as vezes que a corrente do golfo parou foram devido a roturas em grandes lagos glaciares com um efeito muito mais drástico nas correntes oceânicas devido à injecção massiva de agua doce no oceano.

Mas… caso o aquecimento global ultrapasse a barreira dos 2-3ºC, há processos que irão ter efeitos na corrente do golfo.
O derretimento mais acelerado da Gronelândia poderá ter um efeito de injecção de água doce no Atlântico, e isto poderá afetar a corrente.
No entanto há algum debate dado que as roturas dos lagos glaciares que no passado pararam a corrente, foram bem mais a sul, e não sabemos até que ponto as águas doces da Gronelândia conseguirão chegar tão a sul de forma a ter um efeito tão disruptivo na corrente.

Outro processo é a alteração do regime de chuvas sobre o oceano e sobre os continentes em torno do Atlântico. Estas alterações também influenciam as características termo-halinas do oceano.

Como somos optimistas, achamos que serão tomadas medidas para evitar este cenário mais sério…medidas simples tais como investir em tecnologias mais limpas, algumas das quais já existem há décadas e só não são implementadas porque não agradam a alguns “lordes”..

Mas admitindo que a corrente sofre um abrandamento mais notório… o que é que vai acontecer?

Bom, a resposta não é simples. No passado o abrandamento da corrente do golfo deu-se por motivos diferentes, tais como alterações climáticas causadas por alterações nos ciclos orbitais da terra, e consequentes roturas de lagos glaciais.

Estes eventos de paragem da corrente levaram ao arrefecimento da Europa.

Mas no passado não haviam humanos a emitir CO2, e como sabemos que o C02 ajuda a aquecer o planeta, o mais certo é que uma paragem da corrente do Golfo levasse hoje em dia a menos arrefecimento do que o que aconteceu no passado, porque o CO2 mais elevado não permitiria uma descida tão acentuada das temperaturas.

No entanto, com o enfraquecimento da corrente do Golfo, o menor transporte de calor dos trópicos e subtropicos para norte significaria uma coisa. O Atlântico subtropical e o sul da Europa iriam “acumular” calor, bem mais do que o Atlântico norte e o norte da Europa.

Estas diferenças mais acentuadas poderiam levar a mais tempestades e situações meteorológicas extremas.

A juntar à equação temos ainda o facto do Árctico continuar a aquecer, o que gera um fenómeno que se chama de amplificação árctica.

Este fenómeno de aquecimento do polo norte em relação ao resto do planeta  gera uma diminuição da intensidade do fluxo da atmosfera, resultando em padrões de bloqueio em que as tempestades e os anticiclones se tornam estacionários e com evoluções mais caóticas.

Ora, este tipo de comportamento mais caótico da atmosfera junto com grandes diferenças de temperatura causados pela paragem da corrente do golfo iriam gerar uma grande “mistela” muito difícil de prever exatamente… Mais eventos de tempo “estranho” com certeza!

Com o atual regime de mudanças climáticas já estamos a observar uma alteração que segue algumas destas tendências, mas temos esperança que se possam evitar estes cenários mais severos. Caso não se faça nada, estaremos cá para averiguar os possíveis efeitos, que poderão ser bastante desagradáveis.

https://phys.org/news/2019-08-gulf-stream-seas-hotter-florida.html

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