Como será a próxima década?

Estamos a viver um período caracterizado pela ocorrência de temperaturas oceânicas elevadas no Atlântico.

Este período é normal e está associado à fase quente da oscilação multidecadal do Atlântico Norte, um fenómeno relativamente bem estudado.
O que não se sabe muito bem, ainda, é como é que os ciclos da oscilação multidecadal do Atlântico (AMO) se vão comportar face às alterações climáticas globais, que estamos gradualmente a observar e que estão a ser cada vez mais acentuadas, à medida que nos aproximamos da barreira dos 2ºC de aquecimento e 500ppm (partes por milhão) de CO2 atmosférico.

As coisas até poderão normalizar assim que o Atlântico arrefeça durante o ciclo mais frio, que deverá ocorrer em meados deste século… só que é possível que o ciclo mais frio não aconteça na plenitude (como já ocorreu no passado por motivos naturais), sendo que desta vez será por causa da maior abundância de gases com efeito de estufa.

Temos observado nas últimas 2 décadas uma tendência de intensificação dos furacões nas regiões subtropicais, fora das áreas clássicas da sua ocorrência. Ou seja, mais atividade a norte e nordeste no Atlântico Central, e menos atividade junto aos trópicos e à América do Norte.
Temos também observado um aumento da intensidade média de cada tempestade.
Este sinal é, à partida, relativamente normal tendo em conta a fase quente da AMO, mas deverá/poderá acentuar-se devido à influência humana no clima.
Esperamos que estas tendências se mantenham nos próximos anos.

Na última década as tendências foram claras, estamos a falar de algo já observado e não de previsões.

Como será então a próxima década?

No que toca ao regime de precipitação e temperatura em Portugal, a AMO também tem alguma influência, mas há preponderância dos sinais relacionados com as mudanças geradas pelas alterações climáticas a uma escala mais global.
Nomeadamente, alterações na circulação de Hadley, com o posicionamento dos anticiclones subtropicais (como o dos Açores).

Temos observado uma tendência para ter Invernos cada vez mais secos, Outonos e Primaveras mais chuvosos e Verões também mais instáveis, com precipitação a tender a subir ligeiramente.
Entre Abril e Novembro as temperaturas estão cada vez mais altas e entre Dezembro e Março não se observa uma alteração tão profunda.

No futuro o que podemos esperar?
É complicado, especialmente porque as mudanças na circulação oceânica no Atlântico associadas a menos gelo no Ártico, poderão ter efeitos bastante complexos e contrastantes.
Dom mesmo modo, as alterações climáticas globais vão com certeza influenciar os padrões regionais sobre Portugal.

No entanto, é possível delinear um cenário daquilo que será a evolução do nosso clima nos próximos 10, talvez 20 anos, usando as tendências já observadas.

Esperamos que os Invernos sejam cada vez mais extremos, não no sentido do tempo ser “pior”, mas no sentido de termos cada vez maiores oscilações de ano para ano.
Em geral, esperamos Invernos mais secos, mas por vezes surgirão tempestades e anos mais agrestes, embora a maioria venha a ter bem mais dias de sol e de tempo seco do que atualmente.
Os dias poderão ser mais quentes, mas as noites mais frias.

Os Outonos e as Primaveras terão novos picos máximos de precipitação, especialmente o Outono. Esperamos mais episódios de mau tempo, com precipitação de carácter rápido e intenso, com mais “visitas” de tempestades que virão dos trópicos.
Em termos médios as temperaturas vão subir, e o número de meses “quentes” (com temperatura média superior a 18ºC), vai passar dos atuais 5-6 para 6-7.
Mais chuva, mas também mais calor… esperamos que daqui a 20 anos seja mais normal fazer calor desde Abril a Novembro.

O Verão será, em média, mais quente do que hoje em dia.
Haverá mais ondas de calor, aumento das temperaturas médias e aumento da humidade.
O interior terá Verões abrasadores e os locais que hoje em dia são mais frescos como Sintra ou outros locais do Litoral Oeste serão um refúgio cada vez mais procurado durante as ondas de calor.
Também é provável um aumento do número de dias com trovoada, resultando num ligeiro aumento da precipitação, mas que será essencialmente inútil dado que as temperaturas serão bem mais altas e a evaporação muito superior ao que chove.

O clima em Portugal Continental será mais parecido ao que temos hoje em dia no Leste e Sudeste de Espanha… as mudanças não serão catastróficas, mas serão o suficiente para ter alguns impactos na forma como, por exemplo, gerimos os recursos hídricos ou a nossa agricultura.

https://www.cbsnews.com/news/hurricanes-are-intensifying-more-rapidly-and-it-may-be-our-fault/

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