Arrefecimento global… um tema que pode parecer pouco próprio nestas alturas, mas que na verdade faz sentido analisar, até porque é precisamente ao estudar o arrefecimento global, que se descobriu que as atividades humanas têm de facto um impacto mensurável e até bastante evidente nas condições climáticas.

Ora, os dados dos últimos milénios, a partir da análise das bolhas de ar retidas nas calotes polares, registos fósseis dos tipos de plantas e animais que viviam na terra, e que são indicadores das condições climáticas, análise dos isótopos de oxigénio retidos em rochas sedimentares, etc, dão-nos uma ideia bastante realista da evolução da temperatura da terra.

Existem 3 factores principais que regulam o comportamento do clima à escala geológica. Os ciclos orbitais da terra, com influência na quantidade e distribuição da radiação solar sobre o planeta, a composição química da atmosfera, nomeadamente os gases com efeito de estufa e a densidade de aerossóis,  e finalmente as dinâmicas dos oceanos e das correntes marinhas.

As actividades humanas afectam essencialmente a composição química da atmosfera.

Ora, sabemos que a última era glacial deveu-se ás dinâmicas dos ciclos orbitais da terra, que se conjugaram de forma a reduzir a quantidade de luz solar que chegava ao hemisfério norte, e assim produzir um arrefecimento dramático.
A era glacial  terminou quando os ciclos orbitais permitiram um novo aquecimento, cujo pico se deu entre 9 e 5 mil anos atrás, com valores próximos aos que observamos atualmente e em torno a 1 a 1.5ºC superiores aos valores observados antes da revolução industrial.

Desde o último pico de temperatura da terra até ao século 19 a terra estava a entrar num novo ciclo de arrefecimento global,com uma descida de cerca de 1.5ºC a 2.5ºC em 5 ou 6 mil anos.

Essa descida tem a ver com um novo ciclo orbital menos quente, conjugado com a atividade vulcânica intensa observada nesse período, que lançou muitos aerossóis que ajudaram a bloquear a luz do sol.

Durante o século 20 havia cientistas que estavam preocupados com o arrefecimento global, dado que os indícios até então sugeriam que a terra estava a arrefecer, e isso traria consequências potencialmente negativas. ( As oscilações climáticas trazem sempre impactos na vida da terra, a natureza é assim, composta de ciclos permanentes..).

Surgiram assim até bastantes artigos sobre o tema, e na altura não se sabia ao certo o impacto das atividades humanas no clima, até porque na altura não tínhamos a capacidade de emitir tantos gases com efeito de estufa para a atmosfera.

Sucede que, nas últimas décadas do século 20, já numa fase de maturação das economias e industrias mundiais, se começou realmente a observar que as quantidades de gases com efeito de estufa estavam a aumentar de forma acusada, e as tendências da temperatura global estavam-se a inverter, com cenário de subida.

Imagem com a evolução da temperatura segundo vários métodos, desde há 2000 anos.

Mesmo com os ciclos orbitais a contribuírem para arrefecimento e a ocorrência de grandes erupções vulcânicas durante o século 20, as temperaturas estavam a subir, em resposta à emissão antrópica de gases.

Sabemos hoje em dia que a tendência natural da terra é de arrefecimento, nesta fase da história, só que as atividades humanas estão a alterar esse ciclo de arrefecimento, e estão-nos a levar a um novo período quente.

As certezas quanto a este facto rondam os 95 a 98%, ou seja, não há praticamente nada neste momento que justifique o atual aquecimento excepto as emissões de gases.

E mais calor é mau ou é bom?

Na natureza nada é mau ou bom… simplesmente sucedem-se estes ciclos, e sabemos que quanto mais rápidas as mudanças na temperatura, menos chances há dos seres vivos se adaptarem e maior a probabilidade de ocorrerem crises biológicas. Quando as espécies se extinguem durante as crises biológicas dão oportunidades a outras mais fortes ou melhor adaptadas, e assim continua o ciclo da vida…

Se o ritmo atual de mudanças climáticas continuar, teremos efeitos, uns mais agradáveis e outros mais desagradáveis, mas interessa, e está nas nossas mãos, reduzir os impactos e a rapidez com que este ciclo se processa, de modo a dar tempo para haver alguma adaptação, é esse o objectivo.
Doutra forma estamos a colocar-nos em risco de podermos não nos conseguir adaptar a uma mudança assim tão drástica.

Estima-se que ultrapassar a barreira dos 2-3ºC de aquecimento ou 500ppm de CO2 na atmosfera poderá gerar um impacto significativo já que se vão atingir valores nunca observados em várias dezenas de milhares de anos, num espaço de apenas um século…uma mudança demasiado brusca! Alem disso, temem-se efeitos de aquecimento desregulado, que podem levar a um estado de ” greenhouse earth ” um fenómeno que já ocorreu no passado e levou a grandes mudanças ambientais com consequências algo inusuais. ( https://www.bgs.ac.uk/discoveringGeology/climateChange/greenHouseEarth.html )

Pode parecer pouco 2 ou 3ºC mas num sistema em equilibrio como o sistema climático bastam poucas mudanças para gerar um desequilibrio maior… assim como uma injecção, ainda que minúscula quando em comparação com o tamanho de uma pessoa, consegue ter efeitos por vezes dramáticos no organismo, uma pequena mudança no clima pode ter efeitos muito notórios no futuro.

Para evitar mudanças bruscas difíceis de suportar, precisamos de mudar a forma como as economias funcionam…em vez de pensar em crescimento permanente,  utilização exagerada de recursos e poluição descontrolada, temos de passar a ter algum cuidado e evitar este uso desregulado do planeta, de forma a que se atinja um estado de maior neutralidade e simbiose com a natureza.

Estas medidas de conservação não são apenas aplicáveis no capítulo do clima, mas também no que toca á poluição em geral, degradação das condições ambientais… etc… temos nas nossas mãos a possibilidade de contribuir para que se regresse a um estado mais normal digamos assim.

Isto… até que venham outras forças maiores que nós ( e há bastantes no universo ), que possam alterar este equilíbrio e lançar outro ciclo diferente como sempre foi desde há milhões e milhões de anos.

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