Falamos frequentemente de como as alterações climáticas podem modificar os ecossistemas e como isso é um risco para o equilíbrio ambiental e ecológico do planeta.

Um dos exemplos mais marcantes é a possibilidade de que o deserto do Sahara venha a desaparecer, sendo substituído por uma floresta tropical seca.

Com o aquecimento do norte de África, existe a possibilidade de que os sistemas de baixa pressão térmicos, que se formam nos meses mais quentes, ganhem força transportando para norte ar húmido vindo do Atlântico.

Isto levaria à progressão para norte da monção africana e da zona intertropical de convergência (ZITC ou ITCZ, em inglês), de uma forma similar ao que ocorreu há cerca de 10 mil anos, trazendo bastante mais chuva aos desertos do norte de África.

Há 10 mil anos, a causa desta alteração foi relacionada com alterações orbitais da terra, que levaram  a um aumento da intensidade da radiação solar sobre o hemisfério norte, e como consequência, verões mais quentes.
Este efeito pode ser “imitado” pelo aumento da concentração de gases com efeito de estufa.

Alterações desta magnitude poderão ter repercussões no clima, não só local, como à escala global… por exemplo, na Península Ibérica há cerca de 10 mil anos, o clima era marcado por mais chuva na Primavera, Verão e Outono, e menos chuva no Inverno… um clima subtropical mais próximo do que hoje em dia é observado em alguns pontos do Arizona e Novo México, nos EUA.

Estas alterações poderão trazer até alguns benefícios aos povos da África do Norte, muito atingidos pela seca, mas à custa de outros malefícios, como a progressão para norte de doenças tropicais, subida do nível dos oceanos ou incapacidade dos ecossistemas de adaptarem a mudanças tão rápidas.

Uma alteração do clima, com causas humanas, no decorrer de 100 anos é muito mais brusca e difícil de suportar do que uma alteração natural ao longo de milhares de anos.