Pioria dos níveis de poluição registados da Avenida da Liberdade surpreendem


 

«Desde 15 de janeiro de 2015 que os carros com matrículas anteriores a 2000 e a 1996 passaram a estar proibidos, dentro de uma determinada zona, de circular, entre as 07:00 e as 21:00 dos dias úteis, no centro da cidade de Lisboa devido às emissões poluentes. 

Os carros com matrículas anteriores a 2000 ficaram impedidos de circular na zona 1, que vai da Avenida da Liberdade à Baixa (limitada a norte pela Rua Alexandre Herculano, a sul pela Praça do Comércio e abrangendo a zona entre o Cais do Sodré e o Campo das Cebolas). »

 

Fonte: http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/ambiente/niveis-de-poluicao-da-avenida-da-liberdade-estao-piores


 

A propósito desta notícia e da pioria dos níveis de poluição registados da Avenida da Liberdade, em Lisboa, destaca-se a importância ambiental do uso responsável de veículos, mas também é de salientar que a medida que visa filtrar o acesso das viaturas anteriores a determinado ano não surtiu efeito.
É uma lição a uma medida que se denunciava como discriminatória e eventualmente mal calculada, pois a idade das viaturas por si só não justifica emissões superiores a x g/km ou mais emissões de NOX, que, aliás, são o problema dos carros a diesel.

Um veículo a gasolina, por muito antigo que seja, será sempre menos nocivo neste aspecto do que qualquer outro mais recente a diesel, por este emitir estas partículas nocivas.

 

 

Mas se por um lado…

Reduzir a velocidade permitida em importantes eixos da cidade também poderá não ser tão amigo do ambiente.

Se por um lado se produzem carros teoricamente mais eficientes, mas estamos a limitar de tal forma a fluidez do trânsito requalificando a utilização das vias com a redução de espaço lateral e da velocidade permitida, isso gerará mais trânsito e, com isso, haverá mais consumos de combustível e poluição ambiental. Quem necessitar de andar de carro vai andar na mesma e utilizará as referidas vias.

 

A requalificação deverá, no ideal, facilitar o alcance das metas de poluição fixadas, mas sem afectar a qualidade da circulação nas referidas vias.

 
Energias alternativas ?

E se o ambiente é a grande justificação para tanta azáfama à volta da inovação e da revolução nos transportes, continua a haver imenso interesse no petróleo. Optar por carros eléctricos que terão cerca de 8 anos de vida útil (segundo especulam algumas marcas) – pois as baterias que o compõem são em número tão elevado e tão caras que, após esse tempo útil de vida das mesmas ser esgotado, o carro não terá arranjo justificável que compense o custo de substituição de todas as células de bateria, mesmo que a carroçaria esteja em bom estado – dificilmente irá repercutir poupanças a longo prazo mesmo que seja abastecido com electricidade muito barata.

Viatura essa que é eléctrica, mas que é carregada numa tomada que talvez parte da energia que use em determinados países seja derivada de combustíveis fósseis e que é paga na mesma, por muito barata que seja…

 

É óbvio que é indispensável defender a utilização de energias alternativas e limpas, mas de forma racional, que seja sustentável e que compense a opção pela mesma.

 

 

E a amortização do investimento ?
Outra situação interessante é que o custo envolvido nessa tecnologia é tanto e a durabilidade e a fiabilidade a longo prazo do veículo poderá ser tão baixa, que possivelmente sairá mais caro do que ter um tradicional veículo de motor a combustão.

É verdade que é preciso inovar e começar por algum lado. Mas será não acabará por terminar num ciclo de desperdício de viaturas que deixarão de ter um tempo de vida de 20 ou 25 anos para que passem a ser de 8, ou até menos, e se caia no erro de desperdiçar ainda muito mais recursos, com o típico «puxar do lençol», poupando de um lado mas desperdiçando do outro, com o descarte de carroçarias e motores em bom estado, ou outras peças, em massa ?

 

Há sim a necessidade de fazer compensar a opção de escolha por estes veículos, melhorando aspectos como o tempo de vida útil e baixando o custo de manutenção.

 


Outra questão que também poderá ser intrigante é a gravidade atribuída quase somente aos veículos, mas estes são apenas uma pequena fatia do problema do aquecimento do planeta, como veremos a seguir.

 

Remontemos ao início do problema do aquecimento:

O planeta aqueceu cerca de 1 ºC desde 1900 em diante, como é visível no gráfico em anexo. E começou a aquecer bem antes de haver veículos a diesel e gasolina a circular em massa pelo planeta.

 

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Gráfico de desvios de temperatura em relação à média do período de 1880 a 2011

 

Fonte: http://www.nasa.gov

 

Algumas coisas curiosas a ter em conta:
-Desde esta altura em diante, a população rural no mundo iniciou um rápido decréscimo – em detrimento da população urbana -, que ainda é bem visível hoje em dia, em países ainda muito rurais e que vão deixando de o ser, como a China, entre outros, e que estão em rápida ascensão. São países que tiveram o seu «boom» industrial já tarde e que se repercute actualmente, e parte dessa indústria ainda é rudimentar.

 

-Segundo o gráfico em anexo, a população (humana) mundial aumentou de 1.700.000.000 em 1900 para 7.400.000.000 no presente ano ! E só entre 1940 e 2010 mais do que triplicou !

 

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Gráfico de evolução da população até 2015 e de projecções segundo vários cenários até 2100

 

Fonte: http://en.wikipedia.org

 

-Os humanos apareceram há mais de 2 milhões de anos e já na fase Homo Sapiens migraram para fora de África há cerca de 100.000 anos atrás. Ao longo de todos esses anos até ao ano 1800 D.C. nunca ultrapassámos os 1.000.000.000 de habitantes, mas em apenas 200 anos seguintes já somos cerca de 7x mais… O ritmo é alucinante.

-Com isto, a exploração de recursos para alimentar tanta população animal e humana cresce exponencialmente.

-A criação de gado é feita em massa, que por sua vez também consome exponencialmente mais recursos e emite gases de efeito de estufa para a atmosfera como o metano, um dos mais potenciadores do aquecimento.

-O explosivo crescimento da indústria é visível, e parte dela é bastante poluente e rudimentar, principalmente nos países em desenvolvimento e expansão.

-Mais cidades exigem menos espaço rural e arborizado, o que desequilibra essa balança a duplicar.

-A deficiente ventilação das cidades reduz-se ainda em cerca de 15 a 30 % devido à forte urbanização das mesmas, contribuindo para o seu aquecimento.

-Com as projecções para o futuro, avizinham-se situações mais assinaláveis, com uma tendência de crescimento demográfico a tender para o exponencial.

 

 

Portanto, com tudo isto, os carros não são certamente a maior fatia do problema quando o problema essencial passa pela exagerada proporção de crescimento da população mundial e a exploração de mais e mais recursos, com a sua destruição generalizada a caminhar para o esgotamento.

Se em 1 ºC de aquecimento antrópico – causado pelo Homem – houver uma pequena percentagem sobre os quais os carros são responsáveis, será que com medidas restritivas a estes se compensarão os respectivos prejuízos colaterais ?

É dever de todos zelar pelo ambiente, mas será que o prejuízo por construir tantos bens com «data de validade» e deitá-los fora, em nome da eficiência, não será contraproducente ?

 

Evitar ser catastrofista e populista é, no entanto, necessário. O excesso de histeria em torno de alguns problemas que partem de determinadas premissas ou previsões apocalípticas deve ser evitado e tem sido presente.

Houve, até, previsões exageradamente dramáticas, como foi o caso de uma realizada pelo conhecido político americano Al Gore há cerca de uma década, que apontava para a inexistência de gelo no Ártico a partir de 2013, e que se revelou falhada.

Isto prova que o conhecimento científico está em permanente progresso e evolução, sendo que as previsões não são tidas como factos e são sempre sujeitas a revisões.

 

 

Um exemplo de exagero catastrofista nas previsões e cuja realidade se revelou mais suave:

 

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Gráfico de evolução dos desvios da temperatura face a um período de referência contrapondo previsões dos modelos (de 1 a 5) vs. observações reais verificadas com uso do satélite, sondas e observações de superfície

 

Fonte: https://wattsupwiththat.files.wordpress.com/2015/09/clip_image0085.jpg

 

 

 

No entanto, sem dúvida existe a necessidade de uma melhor gestão ambiental e racional dos recursos naturais.

 

Acima de tudo estará o bom senso entre qualidade ambiental, acessibilidades, qualidade de vida e sustentabilidade, cujo tempo ditará os resultados.

 

 

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