Muita gente olha para o clima de Portugal Continental de uma maneira muito simplificada, sem ter a noção que o território continental tem um clima extremamente variado, que dá origem a condições sociais, económicas e ecológicas tradicionalmente das mais ricas e diversas da Europa.

Nas escolas, infelizmente, está na moda ensinar-se a classificação de Koppen, que é uma abordagem climática à escala mundial, extremamente simplificada e incapaz de caracterizar o clima a escalas mais pequenas.

Hoje em dia, temos processos de caracterização climática que trabalham com múltiplas variáveis, entre as quais variáveis que têm em conta o comportamento das plantas, que são elementos extremamente sensíveis ao clima e portanto funcionam muito bem como sinalizadores dos climas das regiões.

Felizmente, temos já estudos bastante aprofundados (embora precisem de algumas atualizações) da nossa realidade climática a nível regional… O trabalho em que nos baseamos (M. J. Alcoforado et.al, 1982) é neste momento, ainda, o mais apropriado.

Pegando em elementos como, a precipitação média anual e a temperatura média anual, e em modelos matemáticos, consegue-se definir as regiões mais frias, mais secas e as regiões que caem em subdivisões com comportamentos distintos ao nível da queda de chuva e da temperatura ao longo do ano.

Definiram-se assim 5 regiões:

Uma faixa Oceânica/Atlântica, com precipitações elevadas, e temperaturas frescas o ano, praticamente, todo (parte do Minho).

Uma faixa pré-Oceânica, com menos precipitações que a faixa Oceânica e maiores amplitudes térmicas, com verões mais secos e quentes e invernos frios e chuvosos (apanhando o distrito ou parte do distrito de Porto, Viana do Castelo, Aveiro, Coimbra e Guarda).

Uma zona pré-Mediterrânea Interior, com uma estação seca entre Maio e Setembro, verões muito quentes e invernos frescos a frios (apanhando o distrito ou parte do distrito de Bragança, Castelo Branco, Évora, Beja e Portalegre)

Uma faixa Litoral Sudoeste, com uma versão amenizada do clima subtropical Mediterrâneo, com verões longos, mas não excessivamente quentes e invernos muito suaves, ou mesmo sem Inverno biológico, a estação chuvosa concentra-se entre Outubro e Abril (todo o litoral desde Lisboa a Lagos)

Em 5º lugar, o clima subtropical Mediterrâneo típico, com verões longos muito quentes e secos, sem inverno biológico e com estação chuvosa entre Outubro e Abril (toda a zona de Alcoutim, Mértola, Tavira e Faro).

A única critica que fazemos a este modelo, é a fraca diferenciação entre o Litoral e o Interior nas regiões Norte e Centro, que tem a ver com o facto do carácter da precipitação se tornar preponderante face à temperatura…
Propúnhamos, a nosso ver, uma divisão, em especial, para o Litoral da região Oeste até à Figueira da Foz, onde o clima é muito parecido ao da costa noroeste da Califórnia.