Clima e Meteorologia, parece tudo o mesmo, mas não é.

Quando falamos em clima, condições climáticas ou climatologia, falamos do conceito de estado do tempo médio a largas escala temporais, geralmente da ordem mensal, sazonal e anual.

O estado do clima é analisado pela persistência de padrões na atmosfera em longos períodos de tempo, e a ideia de clima “normal”,  ou seja, o clima médio de uma região, é um conceito que requer a análise das condições médias ao longo de 30 anos ou mais.

A meteorologia, por outro lado, refere-se ao estado do tempo em escalas que vão desde a observação, ou seja, aquilo que está a passar-se, até alguns dias/semanas para o futuro.

Os fenómenos meteorológicos são aqueles que se desenvolvem à escala de horas ou dias.

Tendo em conta estas diferenças, temos que diferenciar os processos de previsão do tempo nas duas diferentes escalas de análise.

As previsões meteorológicas são desenvolvidas por modelos de resolução mais alta, juntamente com a análise de imagens de satélite, que em conjunto diagnosticam o estado da atmosfera num momento, e projetam a sua evolução no futuro.

Como as previsões meteorológicas são mais detalhadas e integram processos físicos com características mais voláteis, estas só são válidas durante alguns dias, e perdem notoriamente a sua capacidade preditiva além das 72-120h, sendo que a 10 ou mais dias é extremamente difícil obter previsões, e geralmente as que são obtidas são apenas relativas a padrões ou tendências médias e generalizadas sobre uma região.

Por outro lado as previsões climáticas, a longo prazo, são mais simples dado que os elementos que influenciam o clima, como a circulação geral da atmosfera, os ciclos orbitais, as características físico-químicas da atmosfera ou as condições oceânicas, são muito mais estáveis e evoluem de forma muito mais gradual e previsível.

Hoje em dia uma das mais importantes áreas em desenvolvimento das ciências geofísicas é a área de previsão climática.
As mudanças climáticas, causadas pela rede de fenómenos ativados a partir da libertação em massa de gases com efeito de estufa, são alvo de constante avaliação e de criação de cenários evolutivos a longo prazo.

O aumento da capacidade computacional permite avaliar as possíveis mudanças na circulação geral da atmosfera, e até começar a inferir eventuais alterações à escala regional, embora este seja um exercício complexo e com margens de erro ainda elevadas.

Curiosamente, os ciclos orbitais neste momento até favorecem um arrefecimento global da atmosfera…. só que a emissão de gases com efeito de estufa está a contrariar essa tendência.
Nos anos 70 alguns cientistas temiam mesmo que estávamos a caminho de uma nova era glacial, só que os efeitos da emissão de carbono e de um pico de cerca de 200 anos da radiação solar, foram nessa altura muito subestimados.