A 18 de Fevereiro de 2008 iriam fixar-se novos recordes de precipitação acumulada, especialmente na região da Grande Lisboa, onde a incidência da mesma foi substancialmente elevada.

Um sistema depressionário a sudoeste do território foi-se aproximando da Península Ibérica, e interagiu com uma massa de ar anormalmente húmida e instável vinda de Cabo Verde.
Esta interacção resultou na formação de uma linha de trovoadas que entrou pela região de Lisboa, com chuva copiosa, de origem tropical, acompanhada de trovoadas frequentes.

Este evento originou cheias, já que mais de metade da precipitação acumulada nas 24h do dia ocorreu em 6h ou menos, durante a madrugada e início da manhã.

Em algumas estações meteorológicas, ultrapassaram-se os 150 mm diários, sendo que em apenas 6h já se obtinham perto de 100 mm. Na estação de Lisboa/Gago Coutinho, conhecida por se localizar no aeroporto de Lisboa, acumularam-se 129 mm neste dia.

Em termo de comparação, o valor total do mês mais chuvoso do ano é em média INFERIOR ao que se registou em apenas 24h, neste dia.

A ocorrência de cheias rápidas prende-se principalmente pela intensidade da queda da precipitação em dado momento, que não dá tempo suficiente aos sistemas de escoamento para que os mesmos sejam eficazes no seu trabalho mas, nesta situação, a contínua ocorrência de precipitação tornou ainda mais complexo este evento e as suas consequências.

O pico da ocorrência da precipitação na Grande Lisboa ocorreu entre as 5h e as 6h da manhã, contribuindo ainda mais para que este fenómeno tivesse maior impacto no quotidiano da população.

Esta situação, infelizmente gerou danos e vítimas, e é com isto no nosso pensamento que trabalhamos todos os dias para melhorar e avançar nesta ciência.

https://www.ipma.pt/resources.www/docs/publicacoes.site/rel_dmc_cheias18022008_v1.0.pdf