Para satisfazer a curiosidade acerca da possibilidade de ciclones tropicais em Portugal, primeiro temos de explicar o que são ao certo os ciclones tropicais.

Um ciclone tropical forma-se quando um aglomerado de trovoadas se organiza num vórtice, para isto suceder as condições iniciais devem ser, ironicamente, de pouco vento, calor e humidade.

Assim que se formam grandes aglomerados de trovoadas em condições de pouco vento na atmosfera, estas juntam-se insistentemente e começam a sugar ar de todas as direções, conferindo um giro ciclónico ou vórtice (isto de um modo simplificado).

Para que as tempestades se mantenham, há que haver uma forte diferença de temperatura entre as águas quentes e o ar mais frio em altitude, pelo que geralmente são necessárias temperaturas da água do mar acima dos 25-27ºC e nunca inferiores a 18-20ºC.

Em Portugal, tivemos já algumas perturbações com características tropicais, desde o famoso furacão Vince em 2005, que passou a norte da Madeira como Cat.1 e depois entrou pelo sudoeste de Espanha como depressão tropical, até várias perturbações, como a tempestade tropical Grace e outros múltiplos exemplos de sistemas que nunca chegaram a atingir a dimensão e longevidade para merecerem um estudo ou acompanhamento aprofundados.

Nos Açores é mais usual a passagem deste tipo de ciclones devido às águas mais quentes e à rota que estes ciclones tomam vindos dos trópicos para norte e passando perto das ilhas.

Ainda assim, em Portugal Continental, temos algumas situações parecidas, o último caso sucedeu no dia 17 de Outubro de 2015, quando um aglomerado de trovoadas formou um vórtice junto do Arquipélago da Madeira e este deslocou-se para norte e desenvolver-se, até atingir uma estrutura tipicamente tropical, com um olho e bandas de trovoadas que o rodeavam.

Este sistema gerou ventos sustentados de força de tempestade tropical, com rajadas superiores a 120km/h, durante a sua maior aproximação ao território na região do distrito de Lisboa.

Mas para termos ciclones tropicais bem desenvolvidos ou severos, com categoria superior a 2/3 na escala de Saffir-Simpson, seria preciso termos condições bem diferentes, com água muito mais quente, não só à superfície do mar, como também, numa camada de pelo menos 200m de profundidade… é impossível ocorrerem estas condições, pelo que, sim, teremos de vez em quando alguns fenómenos parecidos a uma tempestade tropical, mas nunca nada com a dimensão de um grande furacão.