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No dia 16 de Junho, o Bestweather tinha emitido uma previsão de trovoadas fortes para uma faixa entre o vale do Mondego e o Alentejo, devido à aproximação de uma perturbação de níveis altos ( 6-10km de altitude) conjugada com uma insurgência de ar extremamente quente e energético nas camadas baixas da troposfera.

A presença de camadas de ar com humidade relativa baixa ao longo do perfil vertical, grandes diferenças de temperatura entre a massa de ar quente nos níveis baixos e ar mais frio que acompanhava a perturbação em altitude, eram favoráveis à ocorrência de fortes movimentos verticais, acentuados pelo aquecimento diurno, assim como queda de granizo de grandes dimensões.

No dia 17 de Junho de 2017, a nossa análise ao início da tarde, confirmava a presença de uma perturbação em altitude a progredir de sudoeste, com vento de leste à superficie a aportar ar quente… pela hora de almoço as temperaturas já superavam os 40ºC, e as máximas viriam a atingir 42-45ºC, sob forte sol e antes da evolução explosiva das trovoadas.

Ao início da tarde, surgiram vários núcleos de trovoada dentro da nossa área de análise, de evolução rápida, alimentados pela energia e potenciados pela ação da brisa marítima, que aumentava a convergência nos níveis baixos, em especial no vale do Mondego e bacia do Tejo/Sado.
Alguns destes núcleos apresentavam ciclos de vida relativamente longos dado o suporte dinâmico e presença de algum shear vertical que incentivava a ventilação das torres convectivas.

Tivemos vários relatos de ocorrência de ventos fortes, associados a downbursts, queda de granizo e atividade elétrica intensa.

Durante a tarde, na região de Pedrogão Grande, passaram vários núcleos de trovoada fortes, e embora não se consiga pormenorizar exatamente se a causa do incêndio foi devido a descargas elétricas atmosféricas ou outra causa humana ou natural, temos um grande grau de certeza de que as rajadas severas associadas às trovoadas contribuíram fortemente para a tragédia.

Relatos locais:
Rajadas severas à passagem de frentes de rajada associadas aos downbursts- https://www.youtube.com/watch?v=XUAN-6Ij5Kw

Células convectivas com forte aparato elétrico e pouca precipitação- https://www.youtube.com/watch?v=ekOvjUYh0rA

Os ventos fortes e caóticos tiveram, com certeza, um grande impacto no alastrar do fogo e, além disso, causaram a queda de árvores ou ramos, tornando a condução extremamente complicada.

Também os meios de combate ao fogo foram afetados por estas condições meteorológicas desfavoráveis.

A má gestão florestal e a desadequada preparação para este quadro meteorológico, também terá contribuído para uma reação desadequada, resultando na tragédia.

EM CASO DE TROVOADA qualquer pessoa deverá procurar abrigo, e numa situação que envolva ação direta de ventos severos, precipitação ou granizo significativos ou fenómenos como tornados ou similares, o sitio mais seguro para se estar é numa sala interior, sem janelas, ou numa cave ou abrigo estruturalmente são.

EM CASO DE FOGO, na maioria das situações, é seguro permanecer em casa, com as janelas fechadas, e se possível numa divisão baixa, onde o ar se vai manter mais frio e com menos fumo.

A exposição direta ao meio externo nestas situações é de grande risco, pelo que fugir, mesmo que de carro, é uma má decisão, a menos que seja feita sob ordem de evacuação e com pelo menos algumas horas de antecedência.