Desde 2018 que assistimos a uma conjugação peculiar, em parte causadora das dificuldades de previsão a longo prazo para este Inverno.

Um padrão de El Niño fraco, com oscilações, aliado a temperaturas muito elevadas das águas em todo o oceano Pacifico.

Ao longo deste início de 2019 as condições continuam atípicas, embora hajam indícios que um cenário de El Niño mais estável, com aguas mais quentes a concentrar-se no Pacifico tropical, possam surgir agora a partir do Verão.

As condições de El Niño serão oficializadas caso se passem pelo menos 3 meses com temperatura constante igual ou superior a 0.5ºC acima dos valores normais.

Existe uma ligação profunda entre os ciclos do El Niño/La Niña ( ou globalmente chamados de ENSO ) e o comportamento da atmosfera terrestre.
Alterações nestes ciclos geram uma resposta ao nível dos padrões de precipitação nos trópicos que depois influenciam a circulação geral da atmosfera.

Um efeito do El Niño igualmente bem estudado é a sua influencia na temperatura global, eventos de El Niño injectam vapor de água na atmosfera ( o principal gás de efeito de estufa ) e isso resulta em picos de temperatura que podem durar até 1-2 anos…. a isto acresce a emissão antrópica de gases com efeito de estufa, que acentuam o aquecimento por retroacção positiva.

Os efeitos em Portugal continental são indiretos, por via de reflexos na circulação geral da atmosfera.
Geralmente os anos com El Niño costumam ter Primaveras mais quentes e secas, Verões com alguma instabilidade, Outonos quentes mas igualmente instáveis e Invernos que tendem a começar mais chuvosos e a terminar mais secos.

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