Nos últimos dias temos tido noticias muito preocupantes vindas de Moçambique, que relatam a destruição de extensas áreas da faixa central daquele País Africano, nomeadamente em torno da cidade da Beira.

https://sicnoticias.pt/mundo/2019-03-18-Ciclone-Idai-deixa-100-mil-pessoas-em-risco-em-Mocambique

A cidade da Beira foi atingida pela porção sudoeste do ciclone, que no hemisfério sul é por norma a porção mais ativa e perigosa.
Isto deve-se à soma da intensidade do fluxo associado ao ciclone com a componente de movimento de progressão do mesmo.

O facto do sistema ter um movimento lento e ter interagido com o terreno montanhoso de Moçambique levou a que ocorresse uma grande quantidade de precipitação em pouco tempo, com estimativas superiores a 500 litros por metro quadrado.

Chuva, maré de tempestade e ventos com rajadas superiores a 150km/h foram a receita para uma catástrofe.

Durante os próximos dias a recuperação será lenta, e acrescem os perigos de contaminação e de dispersão de doenças que se propagam pelas águas agora paradas e com matéria orgânica em decomposição.

Do ponto de vista da previsão este sistema ciclónico foi bastante bem simulado pelos principais modelos, com erros inferiores a 100km nas plumas de dispersão a 2-3 dias.

Nós aqui no BestWeather iniciámos o acompanhamento deste sistema no dia 11 de Março:

https://bestweather.pt/ciclone-tropical-idai-apontado-a-mocambique/

Dia 12 apontámos a cidade da Beira com área de maior risco potencial:

https://bestweather.pt/ciclone-idai-2/

Dia 14 verificou-se a chegada do ciclone, com landfall poucos quilómetros a nordeste da cidade da Beira.

Tivemos mais de 72h para iniciar medidas de prevenção e mitigação dos efeitos deste fenómeno meteorológico, o que num território com melhores infraestruturas teria sido suficiente para evitar grande parte dos riscos que agora estão a verificar-se, nomeadamente do ponto de vista humano.
Infelizmente Moçambique não apresenta os mesmos recursos a nível de protecção civil, ordenamento e gestão do território ou infraestruturas que nós desfrutamos na Europa.

https://emergency.copernicus.eu/