Para quem anda a profetizar a desgraça deste Verão, vamos lá ver uma coisa…

Este Junho, de acordo com o IPMA, foi um mês com valores de temperatura próximos dos normais e de precipitação acima do normal.

Numa visão global, não foi um mês extremo ou completamente inédito, muito pelo contrário.

Podemos dizer que, de facto, a Primavera foi bastante anormal, com tempo frio e chuvoso a prolongar-se de forma muito persistente, principalmente em Março e Abril… esses sim, foram meses com características extremamente anormais.

Mas também temos de ver que, em 2017, a Primavera foi anormal em sentido inverso, ou seja, com muito calor e tempo seco, que se prolongou até Outubro!

Este ano apenas veio quebrar um ciclo!

Se formos analisar os gráficos para os meses de Junho desde 1931, podemos ver que este mês em 2018, veio após uma sequência de Junhos muito quentes e anormalmente secos… no fundo, estamos é mal habituados!

O facto deste início de Verão ter sido mais ameno e chuvoso, e ter sido precedido por uma Primavera fria e chuvosa, dá a impressão de “ano sem verão”, parece que, de facto, temos tido um prolongar exagerado da estação chuvosa, mas, no entanto, temos de analisar estes fenómenos a escalas maiores para perceber o que se passa… este ano tem sido apenas um ano de alívio face aos anos anteriores que têm sido marcados por Verões (estações secas) exageradamente quentes e prolongadas.

Outra questão… quando se fala em alteração climática, pressupõe-se uma alteração persistente da dinâmica do clima, e este ano ou qualquer ano isolado não significam nada, é necessária uma alteração que persista durante pelo menos 30 anos.

Claro que estamos num processo em que a humanidade tem alterado alguns factores, e podemos, de facto, caminhar para uma mudança climática, que seria grave caso a temperatura global subisse mais 1,5 a 2ºC… mas, neste momento, ainda não ultrapassámos os 0,5 a 1ºC de subida, pelo que ainda estamos em relativa segurança.

O acordo de Paris visa tentar impedir que se ultrapassem os tais 2ºC, a partir dos quais poderíamos, de facto, ter problemas graves.